Há cinco anos, iFood e Loggi assinavam acordo com prefeitura de SP para melhorar segurança dos entregadores, porém, de lá para cá nada foi feito neste sentido
O ano era 2019 e o mês, julho. Os jornais noticiavam aumento de 18%, em relação ao ano anterior, do número de mortes envolvendo motociclistas que, segundo a própria prefeitura de São Paulo era influenciado pelo aumento do uso de aplicativos de entrega como fonte de trabalho.
Uma pesquisa feita pelos técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) naquele ano, identificou que essa alta estava ligada ao crescimento de pessoas, sem qualificação ou conhecimento algum, que usavam os aplicativos de entrega como “bico” para aumentar renda mensal.
Por conta desse cenário, a prefeitura chamou as empresas para uma conversa, que resultou na assinatura de um termo de cooperação, com foco em medidas de segurança voltadas para esses motociclistas.
As reuniões aconteceram com intermediação da Secretaria de Mobilidade e Transportes (SMT), que informou ainda, a Rappi não aderir por não concordar com o formato proposto e a Uber Eats – que encerrou atividades tempos depois – porque o modelo do algoritmo adotado pela empresa só proporcionava ganho maior aos motociclistas que trabalhavam em regiões com alta demanda de entregas.
Assim, nestes cinco anos passados o que se percebe é total descumprimento da Lei Federal 12.436 (que proíbe pagar em dinheiro ou oferecer brindes aos motociclistas), bem como falta de responsabilidade social da parte das empresas.
Atualmente, as empresas de app negam-se a melhorar esse cenário e continuam oferecendo bônus, no caso das que entregam alimentos, ou não dar opções para entregadores que transportam pequenas encomendas, que se veem obrigados a saírem com mercadorias ultrapassando o permitido por lei, ou seja, o que cabe dentro do baú, transportando altos volumes para compensar a saída.
O que se percebe com isso, é que estas empresas assinam acordos só para fazerem propaganda em seus portais, que se preocupam com seus colaboradores, quando na verdade, por estarem em um país em que muitas brechas jurídicas são usadas para protegerem-se, o número de mortes de entregadores realmente não cairá, mesmo.